Amigos, essa história é importante… e mais do que isso, um alerta à quem trabalha com marcas ou deseja construir alguma… o post é longo, mas como estou de férias mesmo… será um prazer imenso dividir esta passagem com vocês… vou separar o texto em partes… e vocês podem ler quando quiserem e tiverem tempo…
PARTE I – Tudo começou em 1984, quando conheci o surf e tive contato com as ondas, em cima de uma prancinha de isopor comprada num mercadinho na Av. Alexandre Martins, pertinho de casa, lá em Santos… Na época, as pranchas de fibra eram caras, caríssimas para os padrões da época… então, tive que me virar com a de isopor, monoquilha mesmo… e como incentivo, meu pai disse: o dia que você conseguir surfar em pé nessa aí, te compro uma de fibra.. e lá se foram meses de prática… voltava do colégio e corria pra praia… aproveitava cada último raio de sol… tinha que ficar em pé o mais rápido possível.. mostrar que dominava aquilo… e em menos de um mês… levei meu pai comigo até a praia e mostrei que merecia a prancha de fibra…
PARTE II – Esperei ainda algum tempo, até que meu aniversário chegasse… e fomos buscar a tal prancha de fibra, nova, triquilha… tamanho 5.2…. numa loja lá no gonzaga e que hoje nem existe mais… ali foi o início da minha relação com a RIP WAVE… foi amor à primeira, segunda e terceira vista… um cuidado absurdo… e naquela mesma noite, cheguei a dormir agarrado com aquela conquista… estreei a prancha no Itararé, em São Vicente… e não parei mais… era um dia no canal 4, outro no Guarujá… outro no quebra-mar… Bertioga… Juquehy… conforme ia crescendo, mais praias ia conhecendo… e também tinha que buscar um novo equipamento sempre que eu aumentava de tamanho… assim, após uns 2 anos…. era hora de comprar uma nova prancha….
PARTE III – Como eu já estava habituado com o universo do Surf… os amigos me disseram onde ficava a fábrica da Rip Wave… e que era possível encomendar uma prancha sob medida… feita para mim e levando em consideração o meu peso, altura e habilidade… uma prancha que ajudaria a desenvolver o nível dentro d´água… me animei ainda mais, fui até lá e encomendei meu novo foguete… foi assim durante anos… mais precisamente até 2004… ao todo, fiz mais de 15 Rip Waves… voei com elas para a Austrália, Noronha, Rio de Janeiro… meu irmão era meu parceiro e sempre caiu na água de Rip Wave… assim com o pessoal da rua, do bairro… a meninada que sempre me pediu opinião ouvia a mesma resposta: pegue uma Rip Wave… vai lá, faz tua prancha… é uma das melhores do Brasil… a diferença de preço vale cada centavo… Acredito que ajudei a vender bem mais de 50 pranchas entre amigos, familiares e colegas…
PARTE IV – A partir de 2002, em resposta à um acidente que sofri aos 13 anos, comecei a ter problemas na minha perna esquerda… o surf passou do prazer ao desespero… era pegar uma onda boa e ficar 2 dias de cama por causa das dores… mesmo assim, continuei insistindo… azar o meu… preferia ficar 2 dias sem pisar no chão a ter que deixar de pegar mais uma onda… porém, as dores pioravam… pioravam… e chegaram a tal ponto de eu ter que desistir… sendo 2004 o meu último ano como surfista de alma… lavada e triste… mas plenamente satisfeito com tudo o que vivi dentro do mar…
PARTE V – Conformado, larguei o surf e passei a investir na carreira, na família… e em 2006 veio a primeira gravidez da minha esposa… nesse período eu já quase não conseguia andar direito… mancava muito, sofria a cada compra do supermercado… foi quando descobri uma possível cura… a artroplastia total de quadril… uma cirurgia grande, que trocava toda a articulação do quadril por uma prótese… investiguei, li, pesquisei… encontrei comunicades no orkut… pessoas maravilhosas diviriam suas experiências comigo e então… após meses de indecisão, resolvi que seria a melhor solução… queria poder andar com a minha filha pela praia, correr com ela… passear de bicicleta… e nutria uma expectativa em relação ao surf também…
PARTE VI - Deu quase tudo certo na minha cirurgia… a prótese foi colocada com sucesso, os movimentos voltaram, as dores sumiram como num passe de mágica… a perna também foi aumentada para compensar uma diferença de 3,5cm… e as coisas só não foram melhores porque tive um probleminha com um nervo… e isso esticou minha recuperação por 1 ano… dias e mais dias de fisioterapia, musculação… além de muita paciência e dedicação… me deixaram animados com o resultado… até que no final de 2009, bem no começo de dezembro… arrisquei pegar a prancha do meu irmão empresatada (uma rip wave) para ver como seria surfar com prótese… Logo na primeira remada entrei na onda e consegui fazer o drop certinho… pronto… aquilo despertou novamente a vontade de voltar… e com força total e com prancha nova, é claro… uma que me desse segurança, me ajudasse a ter mais estabilidade… e aí procurei aonde?? Na Rip Wave… afinal, quem sempre acertou em todas as minhas pranchas, teria a solução perfeita para esta minha nova fase de re-aprendiz…
PARTE VII – liguei uma vez, ligue duas vezes… na quinta consegui falar… mas, véspera de Natal… Alto verão… pediram para que eu ligasse novamente em janeiro, depois das festas… coisa que realmente fiz… estava decidido a ter minha prancha… Liguei diversas vezes… mandei e-mails, consegui o celular do shaper com um amigo em comum… liguei diversas vezes… mandei e-mails… e mais: torpedos, recados de voz… explicando porque era tão importante voltar ao surf com uma Rip Wave e também pontuando minha condição física e minhas necessidades e expectativas… não tive nenhuma resposta…. e foi então que descobri que a Rip Wave tinha perdido o mais importante em uma marca… que é a consideração com seu consumidor… o atendimento prezado… a proximidade… a devolução do mínimo ao seus clientes: o respeito.
PARTE VIII – Começo de fevereiro de 2010, entro em férias e vou até a cidade de Santos… mais uma vez, por insistência… tento falar com o shaper e explicar pessoalmente a minha necessidade… discutir as possibilidades, definir um modelo, uma borda… um fundo e toda a prancah que deveria ser feita para que eu finalmente voltasse ao surf… o atendente disse que não seria possível, que o shaper estava ocupado… que não atenderia ninguém e nem o telefone… ou seja… estava dizendo que não queria vender… dispensando um consumidor… e pior, dando o fora no maior desejo de qualquer marca: a fidelidade do cliente… para mim foi um balde de água gélida, uma vaca de responsa em Jaws… um caldo sem volta… transformaram um adorador em inimigo… transformaram o desejo em repulsa…
PARTE IX – Eis que, quase sem esperanças, me lembrei de um cara muito legal… que tinha me atendido em 1993… um shaper carioca que fez a 7.0 que levei para minha viagem por New South Wales… o Marcos Villaça (se derem uma busca na internet vão achar o cara… e o currículo admirável dele)… ele é padrinho do meu primo… e então consegui o celular dele… liguei numa quarta-feira, comecinho da noite… ele estava na oficina, shapeando… e atendeu o telefone… me apresentei… ele lembrou de mim, inclusive do problema da minha perna… e se prontificou a fazer a prancha que me ajudaria nessa etapa… conversamos por mais de meia hora… ponderamos tudo… desde a borda até a flutuação… ele só tinha um porém… que era justamente como me enviar a prancha… já que ele está no Rio de Janeiro e eu, hoje, em São Paulo… mas como eu iria mesmo ao Rio em duas semanas… perguntei se daria tempo de pegar a prancha… ele amarradão disse: não só dará tempo, como você poderá surfar com ela aqui… era tudo o que eu precisava ouvir…
PARTE X – Ainda não fui ao Rio encontrar o Villaça e testar o meu mais novo xodó… mas já estou me sentindo muito bem… tanto que até sonhei outro dia com esta prancha e com as ondas que pegava no Recreio dos Bandeirantes com ela… coisas da cabeça… assim que estiver com a dita embaixo dos braços… ou melhor, dos pés… volto para terminar esse post… Valeu pessoal… se quiserem o contato do Marquinhos é só deixar no comment…. da outra lá, se alguém ainda achar que vale a pena, recomendo que tentem o bom e velho Tabuleiro de OUIJA…