Durante todos estes posts, tenho evitado falar sobre a profissão (sou publicitário)… Vou desviando, tentando criar novos assuntos, jogar luz nas questões da cidade… Mas tá difícil segurar… Principalmente porque o mercado está cada vez mais repleto de gente… E de gente que infelizmente nem sabe o que está fazendo nele… Pessoas que não se preocupam com o todo, que acham tudo chato, um saco de fazer… São o que nós, mais maduros, chamamos de crianças da era do sim… criadas livres, por pais reprimidos nos anos 60… Que decidiram facilitar a vida dos filhos e acabaram não impondo alguns limites básicos… Que pagam a faculdade sem nem mesmo saber em que curso o moleque está matriculado… Aí chega nisso… Na hora de trabalhar a meninada exige tudo… Porque senão é melhor ficar em casa… Debaixo das asas, com mesada… Vendo televisão, fumando umzinho no meio da tarde… Dormindo para a vida e para o futuro…
O conceito de faculdade é vago, mas fundamental… Ali é que começam a brotar idéias, onde começamos a encontrar os caminhos… Da minha turma, poucos seguiram na carreira… Mais por falta de oportunidade do que por vocação… Era uma turma esperta, ligada em tudo: festivais, campanhas, comunicação… Investigávamos as questões do Conar, criávamos ao acaso… Coisas para nos sentir bem com a gente mesmo… Vídeos experimentais, anúncios… cartazes, spots…
E como a internet estava surgindo, arrisco até a dizer que fomos os pioneiros a criar um e-mail marketing… Agora hoje, o que vejo são moças e rapazes desinteressados, acham que sabem fazer UMA coisa e isso já é o bastante… Não entendem um briefing, não entendem o cliente e nem o que podem fazer para
propor coisas novas e interessantes… Querem logo terminar o job e se mandar pra baderna… Acreditam que o trabalho é uma extensão do quarto… Gritam, tagaleram… Debatem asneiras… E é cada uma que dá até vergonha alheia… Nem percebem o quanto atrapalham aos outros e a si mesmos…
Então, da copa para o boteco é um pulo… Correm desesperados como se estivessem ouvindo o sinal que encerra as aulas… E chegando lá… Podiam ao menos tentar ser mais espertos, demonstrar algum tipo de inteligência… Mas não… Fazem do recinto a sala de estar das baboseiras… Se vangloriam de nada, sem perspectivas… Me lembro de como era diferente, que quando a minha turma se reunia era para discutir sobre as novidades de marketing político, sobre as injustiças de Cannes… Sobre as estratégias de planejamento para o próximo ano… Enfim… dias atrás, meu companheiro de agência e profissional irretocável, Marcello Matsukuma, foi palestrar para essa cambada… Falar sobre o início na carreira, sobre a geração internet e marketing direto… Disse que foi legal, mas que podia ter sido melhor se houvesse mais gente interessada e buscando novos horizontes… A maioria debandou antes, aproveitando a folga da aula convencional para se esbaldar nas geladas… Nas fumaças…
Enquanto isso o tempo passa… E depois fica fácil culpar o atendimento pelo trabalho que sai medíocre… Ou até a própria agência por não ser um lugar legal… Dizem aos pais que o ritmo é pesado, que o cliente está sempre errado (isso é outo assunto… Dá até livro… Nem vou entrar no mérito)… Chegam a abandonar o estágio porque juram que merecem mais regalias… O chato é que vejo isso todos os dias… Parece repeteco, daqueles tipo dos filmes onde a pessoa fica presa num dia… E que tudo acontece sempre da mesma forma… Tenho amigos em diversas agências e praticamente todos me dizem as mesmas coisas… Por isso companheiro, à você que está chegando, aprenda a respeitar a empresa que investe em você… Vista a camisa por um tempo… Experimente… Depois, se torrar a paciência… Beleza… Aí você vai poder chegar em casa cheio de si, correr pro computer e twittar pra galera que não deu… Mas que ao menos tentou…
Muita gente aí me pergunta porque falo, falo, falo e não faço nada a respeito das questões abordadas aqui… E infelizmente, minha resposta é curta e grossa: simples meu caro, porque trabalho. Parece rude, soa rude, mas é a verdade… Me lembro dos tempos de adolescência, quando pintei a cara junto com o pessoal da escola e saí em passeata pelas avenidas da praia de Santos… Exigindo a morte política de um tal Collor de M… O moderno homem do jetski, que odiava as carroças… Lembro também dos aposentados… Se juntando a nós quarteirão a quarteirão… Astutos e irados com o sequestro de suas poupanças… Levantaram a bunda das cadeiras de nylon e indendiaram-nos com suas visões além do alcance… Juntos éramos energia e estratégia… Pois fim, hoje não há de ser diferente… Enquanto escrevo aqui, num breve intervalo do trabalho (não há tempo para ir apé do escritório à Câmara), peço que jovens e sábios se unam por um velho ideal comum a todos: usem o que vocês tem de melhor… O raciocínio é simples, basta aproveitar a força dos mais novos e a lucidez daqueles que já passaram por este momento… Complementem-se, integrem-se.. Está na moda gente… Só assim a conseguiremos varrer esse lixo todo para longe do nosso futuro…