PARAR PARA PENSAR…

Não costumo postar textos de outros… como a maioria já sabe… mas vez ou outra… as palavras me cabem tanto… que acho válido (desde que dê o crédito)… Segue o post…

A hora certa – Roberto Colucci Montana

Quando olhei para o futuro já não havia muito mais o que esperar. Passei os últimos anos ocupado demais tentando salvar empresas, empregos, investimentos. Não os meus, é claro, mas o de outras pessoas. Minha vida ia bem, acelerada como a de todo paulistano na minha idade. Já não percebia que os mais novos estavam assim também. Respondendo por tarefas que jamais poderiam estar em suas mãos. Foram promovidos sem saber. Estavam anos e anos a frente de suas habilidades e capacidade de entender que o amanhã sempre estará lá, independentemente de quem se atreva a desafiá-lo. Muitas vezes, atrás de papeis e pendências, esquecemos que a decisão no fim é nossa. Você pode simplesmente encarar o dia seguinte ou continuar atrás da montanha de jobs. Você pode dizer basta, mas algo lá no fundo da sua essência o mantém alerta e pronto a seguir sem questionar. Uns chamam de sobrevivência e outros de responsabilidade. Eu aprendi a chamar de burrice. Lutamos a maior parte do nosso tempo por problemas que nem chegam a ser problemas e muito menos, nossos. A felicidade ganha insignificância, os momentos mágicos se tornam bobeiras e emoções são descartadas. Nossa briga maior, nossa vantagem legítima contra sistemas e máquinas se perdeu na velocidade da vida moderna. A revolução digital nos ligou de tal forma às máquinas, que passamos a ser uma delas.
Perdi anos tentando me convencer do oposto, mas foi inútil. O que vi foram exemplos e mais exemplos reais de como as pessoas perderam sua capacidade de decidir por elas mesmas, de errar e acertar por elas mesmas. E isso tudo, por causa da falta do simples exercício de olhar nos olhos, de interagir e se comunicar de verdade. Hoje os jovens colocam seus caminhos no GPS e são guiados por falhas, hoje eles tem um milhão de amigos
em todas as redes, mas vão ao cinema sozinhos. Ignoram colegas de classe e de trabalho, não falam, não ouvem. São donos de seu próprio universo, mas que mundo é esse? É o virtual. Lá são os bons, criam suas regras, seu dinheiro e verdades que não sobrevivem à travessia de uma avenida. O que me impressiona é a idade cada vez menor com que se alienam e se trancam para o todo, deixando de fora o valor do toque, a sabedoria que vem da experiências e da vivência. Estão imersos em mentiras, falsas promessas e testemunhos equivocados. O mais triste é que pessoas e empresas por mais diferentes que pareçam, vivem do mesmo ar. E vejo ambos morrendo pela vaidade e pela aposta na incerteza. Talvez seja tarde e perdemos de vez uma era, mas o caminho está lá e pode ser mudado. A pergunta é: ainda interessa? A mim sim. E brigarei pelo direito de devolver aos meus filhos e netos um futuro equilibrado e saudável. Não existe de fato a hora certa para mudar, mas existe o momento de acordar e saber que é possível reagir e voltar a viver.

4 respostas para PARAR PARA PENSAR…

  1. Clap, clap, clap… falta coragem pra mim… e pra você? O que falta?

  2. As vezes é preciso entender que nunca teremos apoio total em todas as nossas escolhas. E é necessário coragem pra tomar essas decisões por nós mesmos, andando sobre as próprias pernas. Sozinho.

  3. Profundo e justo! E o que mais me chamou a atenção em seu texto foi “que me impressiona é a idade cada vez menor com que se alienam e se trancam para o todo”. É muito verdade e já notamos isso nas novas gerações. Temos que ter consciência disso e não deixar acontecer isso com nossos filhos, sobrinhos, afilhados e outros.
    Parabéns, Mestre!
    Abs

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